Portas acusa ministra de "inércia" para evitar "moda" de operações às cataratas em Cuba
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, acusou hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge, de "inércia", por não contratualizar com o sector social em Portugal as operações oftalmológicas a idosos para evitar a "moda" de serem enviados para Cuba.
Falando aos jornalistas no final de uma reunião, em Montemor-o-Novo, com o presidente da União da Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, o líder do CDS-PP lembrou que "há 29 mil doentes, sobretudo idosos", em lista de espera para uma operação às cataratas, "às vezes, superior a um ano".
"É bom que os portugueses saibam que existem 15 hospitais das misericórdias em Portugal com capacidade, ao nível médico e de equipamentos, para fazer cirurgias", garantiu o presidente da CDS-PP.
Segundo Paulo Portas, os hospitais das misericórdias têm capacidade para realizar "três mil cirurgias por mês, ao mesmo preço que o Estado já paga quando desloca para o sector privado".
"Choca-me a inércia nesta matéria", afirmou Paulo Portas, anunciando que o CDS-PP vai solicitar a presença da ministra da Saúde no Parlamento para "explicar" a situação.
"Se estamos a assistir a esta moda de enviar os idosos para Cuba, se o Serviço Nacional de Saúde não consegue responder, se há 29 mil idosos à espera de uma cirurgia e se em Portugal há 15 hospitais que podem fazer três mil operações por mês, porque é que não se faz?", questionou.
Com a solução do sector social, segundo Paulo Portas, num ano ou dois a lista de espera "caía para o mínimo".
"Porque é que o Ministério da Saúde está quieto, parado e não contratualiza com o sector social aquilo que pode ser feito com competência, qualidade e com seguimento médico em Portugal?", voltou a interrogar.
Além de Alandroal, município que já enviou para Cuba 14 idosos com doenças oftalmológicas, e de Vila Real de Santo António, a Câmara de Santarém assinou na semana passada um protocolo com os serviços médicos cubanos que permitirá a idosos carenciados do concelho serem tratados naquele país.
O CDS-PP também já apresentou um projecto de resolução que recomenda ao Governo a redução de cinco para dois meses o tempo de espera a partir do qual os doentes do Serviço Nacional de Saúde recebem um cheque-cirurgia para realizar operações oftalmológicas no sector privado ou social.
Lusa
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30 de Abril de 2008
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